A planta que a tudo resiste… existe?

A gente não nota, mas a grande sacada da natureza é que no processo de evolução as plantas foram capazes de se adaptar, se especializando aos mais diversos ambientes. Por isso existem espécies mais resistentes a determinadas condições climáticas e de cultivo que outras.

Para entender melhor essa questão, é preciso buscar informações a respeito da evolução. As plantas são organismos complexos que surgiram há milhões de anos, e se desenvolveram em variados ambientes do planeta. Esse longo período de existência e evolução fez com que cada uma delas se adaptasse a condições de sobrevivência bastante específicas..
Há plantas de áreas temperadas e de áreas tropicais, de campos e de florestas, de lugares muito úmidos a muito secos, de solos férteis e profundos a pobres e rasos, de ambientes com vento intenso a ambientes protegidos, que vivem no nível do mar ou que preferem altitudes elevadas.

A verdade é que existe uma diversidade fantástica de plantas no planeta. Mas a pergunta se mantém: haveria alguma resistente à qualquer condição?

As mais resistentes

A capacidade de adaptação de uma planta pode chegar a níveis extremos, como no caso daquelas que vivem em ambientes inóspitos. Não nos damos conta, mas muitas das espécies de orquídeas e bromélias ornamentais vivem assim, em locais particularmente difíceis. São epífitas, que nascem e crescem sobre outras plantas sem parasitá-las – e não contam com as reservas de água e nutrientes, proporcionadas pelo solo. Aliás, muitas orquídeas e bromélias podem ser consideradas plantas “Highlander” (aquele do filme, o “Guerreiro Imortal”, sabe?) pela capacidade de sobreviver a condições que são inviáveis à maioria das espécies de plantas.

Uma das mais incríveis é a Barba-de-velho (Tillandsia usneoides), que diferentemente de boa parte das plantas de sua família não forma uma roseta na qual são armazenados água e nutrientes. Essa planta consegue obtê-los diretamente do ar, por meio de microescamas nas folhas. Ou seja, ela aprisiona gotículas de água e poeira nas suas folhas, se alimentando diretamente “do ar”!
Outros casos interessantes são os de muitas plantas carnívoras, como a Papa-Mosca (Dionaea muscipula), que são quase “Highlander”: elas evoluíram em áreas úmidas alagadiças cuja extrema acidez prejudica a absorção de nutrientes. A capacidade de aprisionar e digerir pequenos animais e insetos é uma adaptação evolutiva a esse ambiente hostil que permite que essas plantas obtenham os nutrientes necessários para sobrevivência e desenvolvimento num ambiente extremamente adverso para a sobrevivência de espécies que não tenham desenvolvido esse tipo de adaptação ao longo de sua história evolutiva.

Cultivo em casa

A verdade é que não há plantas super resistentes para qualquer situação. Cada planta é uma espécie de sobrevivente, cujo “aprendizado” ao longo de milhares de anos a fez extremamente adaptada às condições ambientais do local em que evoluiu.

Claro que algumas espécies são tolerantes a um espectro maior de condições ambientais, o que as torna de fácil cultivo até mesmo para pessoas inexperientes, como é o caso das populares Arecas-Bambu (Dypsis lutescens) e Jibóias (Scindapsus aureus).

Mas ainda assim, para se ter qualquer planta em casa, é preciso identificar as características do ambiente que será oferecido a elas. Mesmo as plantas menos exigentes em seu cultivo, quando em condições ambientais não adequadas podem até sobreviver, mas não desenvolvem todo o seu potencial ornamental.

Você deve questionar:

– Há variações de temperatura ao longo do ano?
– Há vento? Salinidade? Como é a umidade do ar?
– Se o cultivo será em áreas externas, qual a ocorrência de chuvas?
– Se o cultivo será em áreas internas, quantas vezes você está disposto a regar a planta?
– Há luz solar direta? Como é a luminosidade do ambiente?
– Qual o tipo do solo?

Com base nas respostas, a planta mais resistente e mais fácil de cuidar será sempre uma que tenha origem em um ambiente semelhante ao que você planeja cultivá-la. Mas, lembre-se, mesmo sendo uma planta resistente, ela precisará de mínimos cuidados para se manter saudável.
Uma estratégia muito eficaz, especialmente para jardins ou áreas externas é escolher cultivar plantas nativas da sua região. Para estas, a necessidade de transformar o local para recebê-las é menor e, consequentemente, o trabalho e os custos de implantação e manutenção diminuem de maneira significativa.

Assim, se você quer uma ‘Highlander’ para chamar de sua, tenha atenção ao ambiente e consciência de sua escolha. A planta que não morre é a planta que foi bem escolhida. Invista na planta certa para o ambiente certo!

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