Fertilização: uma ação essencial na jardinagem

As plantas, como qualquer ser vivo, precisam de uma série de nutrientes e minerais para se desenvolver e crescer com saúde. Na grande maioria dos casos esses nutrientes estão na camada mais superficial do solo, onde se acumulam e se concentram. Folhas e frutos caídos, pequenos (e grandes!) animais mortos são decompostos por microorganismos e vão formando essa camada rica em nutrientes para as plantas.

Entretanto, quando plantamos em áreas urbanas, quase sempre rompemos esse ciclo. Folhas e flores no chão são indesejáveis e, portanto, recolhidas regularmente. Rompemos o processo natural de reposição de nutrientes e por isso precisamos compensar essa ação com outra, artificial: a fertilização.

Fertilizantes são materiais ou substâncias adicionadas ao solo (ou diretamente às plantas para absorção pelas folhas) de forma a disponibilizar para as plantas os nutrientes que serão consumidos durante seu desenvolvimento, na proporção adequada para cada espécie.

Solos urbanos são frequentemente raspados ou aterrados, o que os torna insatisfatórios para o cultivo. A primeira missão da fertilização é essa: recomposição da qualidade do solo que degradamos de forma a viabilizar o desenvolvimento de plantas saudáveis. A segunda missão é devolver ao solo os nutrientes retirados pelas plantas durante seu desenvolvimento, e que não serão mais repostos uma vez que mantemos a superfície “limpa”.

Fertilizantes Orgânicos X Minerais

Há dois grandes grupos de fertilizantes: os minerais e os orgânicos. Os orgânicos são resultantes da decomposição de algum material orgânico, como por exemplo o esterco de animais, o composto orgânico ou o húmus de minhocas. De maneira geral esses produtos têm grande diversidade de nutrientes, mas baixas concentrações.

Além disso, geralmente a disponibilidade dos fertilizantes orgânicos para as plantas não é imediata, por que há a necessidade de uma série de processos biológicos até que os nutrientes estejam numa forma assimilável pelas plantas, o que consome algum tempo.

Já os fertilizantes minerais geralmente têm concentrações mais elevadas e disponibilidade mais imediata. E frequentemente oferecem pouca diversidade de nutrientes, se concentrando nos consumidos em maior volume pelas plantas. Isso quer dizer que esses fertilizantes são aplicados em quantidades menores e tem efeito mais imediato que os orgânicos, mas precisam de re-aplicações mais frequentes.

Os orgânicos trazem como vantagem a grande variedade de nutrientes e a estabilidade de sua disponibilidade. Isso quer dizer que o efeito não é imediato, mas a médio e longo prazo os nutrientes estarão disponíveis para as plantas ao longo do tempo e de forma mais equilibrada, com a vantagem de poder fazer aplicações menos frequentes!

Outro benefício importante dos fertilizantes orgânicos é o incremento da microvida do solo, muito benéfica para o desenvolvimento das plantas. Por geralmente serem menos concentrados, devem ser aplicados em maior volume – o que não é um problema: esses materiais muitas vezes tem um papel importante na correção da textura do solo, tornando-o mais aerado e capaz de reter água sem encharcar.

Como utilizar

As plantas devem receber fertilização regularmente, especialmente quando cultivadas em vasos. A periodicidade tem relação com a solubilidade do fertilizante e o tempo em que estará disponível no solo. Quando se pretende utilizar apenas fertilizantes orgânicos, 2 a 3 fertilizações anuais podem ser suficientes. Já no caso dos minerais, são recomendadas ao menos 4 fertilizações ao ano, das quais ao menos uma acompanhada de fertilização orgânica.

Essa frequência pode ser ajustada à rotina de quem faz a manutenção. Especialmente no caso dos fertilizantes minerais uma boa ideia é fazer aplicações mensais, em quantidades menores. É uma maneira de não esquecer de adubar sua plantinha!

Mas tudo é sempre uma questão de equilíbrio. Doses muito elevadas de fertilizantes minerais concentrados podem intoxicar sua planta, torná-la mais suscetível ao ataque de pragas e doenças e até mesmo matá-la rapidamente. No caso dos fertilizantes orgânicos de baixa concentração esses riscos são menores, mas é preciso estar sempre atento às instruções do rótulo.

Não há como manter um jardim (ou mesmo um vasinho!) saudável sem uma rotina de fertilização. O processo deve se iniciar no preparo do solo, antes mesmo do plantio, e deve ser feito regularmente durante toda a vida da planta!

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