De onde surgem as pragas das plantas?

Pode parecer surpreendente para muitos, mas as plantas têm mecanismos de defesa naturais. Por isso, quando fragilizadas por alguma razão, também fica prejudicada sua capacidade de resistir ao ataque tanto de pragas como ao de doenças. Esses ataques são muitas vezes sintoma de desequilíbrio do próprio organismo ou de uma alteração no ambiente onde a planta vive.

Essa inadequação pode ter origem em diversos fatores, como o clima impróprio, a umidade do ar elevada ou baixa, luminosidade inadequada, excesso ou falta de irrigação, deficiência nutricional ou até mesmo o excesso de adubação. Por isso é sempre bom ter em mente que um jardim cujas plantas foram escolhidas com critério, que teve o plantio feito corretamente e que tem uma manutenção regular e adequada é muito menos suscetível ao ataque de pragas ou de doenças.

Mas isso não quer dizer que elas nunca vão surgir. Mesmo quando a especificação das plantas é adequada, pode haver possibilidade de desequilíbrios no ambiente. Chuvas escassas ou excessivas ou variações atípicas de temperatura, são fatores que escapam ao nosso controle. Há também outros fatores que podem ser evitados, ainda que às vezes escapem da gestão imediata de cada jardim, como a introdução acidental de novas pragas ou doenças ou a facilidade de propagação provocada pela baixa diversidade de espécies plantadas numa única região.

Promovendo o equilíbrio

Por isso é também importante entender a nossa responsabilidade individual com o equilíbrio do ambiente em que nos inserimos. A preferência por plantas nativas, por exemplo, favorece a biodiversidade ao fornecer abrigo e alimento para a fauna local – o que nem sempre ocorre com plantas exóticas. E mais, a diversidade de espécies da flora favorece a diversidade da fauna, criando condições mais favoráveis para a presença de predadores naturais que operam a favor do equilíbrio.

Quanto menor o parentesco entre espécies de plantas, menor a possibilidade de serem atacadas pela mesma praga ou doença. As criaturas que provocam danos nas plantas evoluíram e se especializaram junto com elas. As pragas e doenças são seletivas e não avançam facilmente entre espécies ou famílias diferentes. O processo de adaptação evolutiva, fez com que se especializassem em atacar determinada espécie de planta e se tornassem incapazes de atacar outras espécies. A diversidade de espécies de plantas num mesmo espaço dificulta a propagação das doenças e pragas de indivíduo a indivíduo.

A promoção do equilíbrio, da diversidade, respeito ao ambiente e às características das plantas são sempre as ações mais efetivas para o controle de pragas e doenças, por serem preventivas. O uso de inseticidas, ainda que naturais, afasta as pragas temporariamente, mas não resolve o desequilíbrio, e pode ainda ter efeitos nocivos sobre os seus predadores naturais, dificultando ainda mais sua erradicação.

Paralelamente ao combate direto às pragas, deve se tomar providências e práticas de manejo que re-estabeleçam a saúde das plantas, fazendo que a aplicação de tais produtos não seja necessária, ou minimizada.

Combate químico

Antes de iniciar a aplicação de produtos para o controle de pragas é preciso observar também se o nível do ataque justifica tal intervenção. As plantas em ambiente doméstico podem conviver sem maiores prejuízos com razoável quantidade de pragas e, muitas vezes, a retirada manual das partes infectadas é suficiente para conter o avanço da infestação. Ainda, a repetição indiscriminada de um mesmo produto por um longo período pode agir como fator seletor de organismos de forma que alternar substâncias também previne a ocorrência de pragas resistentes. O seu uso deve ser criterioso e não convém fazer uma aplicação se não for realmente necessária.

Inseticidas, acaricidas e nematicidas de uso comercial são geralmente produtos químicos tóxicos e muito frequentemente inadequados para uso em espaços domésticos, oferecendo riscos ao aplicador e ao ambiente, como a possibilidade de contaminação do solo e das águas subterrâneas. Não devem ser utilizados sem recomendação expressa de um engenheiro agrônomo. É possível também fazer uso de alternativas de combate natural, menos agressivas e quase sempre mais apropriadas para o uso doméstico.
O fato de usar substâncias de origem natural, extraídas de plantas, não significa que estas também não sejam tóxicas. A aplicação deve ser feita sempre com equipamentos de proteção, como roupas de mangas compridas, luvas, óculos de proteção e máscara. A presença de crianças e animais domésticos não pode ser permitida no momento da aplicação. A pulverização de plantas deve sempre ser feita a favor do vento e no final da tarde, com o sol baixo. Quando não utilizadas imediatamente devem ser guardadas em local seguro. Vasilhas e embalagens que tiveram contato com essas substâncias não devem ser reutilizadas com outros fins.

A melhor estratégia para manter um jardim saudável é sempre a prevenção. Plantas cultivadas em ambiente apropriado, com irrigação e nutrição adequadas são muito menos suscetíveis ao ataque de pragas e doenças. Antes de se aplicar qualquer produto, a limpeza e a remoção das partes afetadas são ações sempre indicadas. E, ao fazer aplicações, é preciso ter certeza sobre as propriedades do produto escolhido, sobre a adequação ao combate da praga ou doença que foi identificada.

E se for difícil identificar? Sintomas de doenças das plantas podem muitas vezes ser parecidos, dificultado o diagnóstico visual. Nesses casos, mesmo profissionais experientes escolhem consultar um especialista, que pode fazer uma identificação precisa e uma recomendação de combate mais segura e eficiente. É mais eficiente para seu jardim e mais seguro para você!

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